Após intervenção, mais de 90% dos moradores do Rio continuam com medo de bala perdida e de ficar no meio de um confronto

Pesquisa realizada para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca insegurança da população, mesmo após a Intervenção Federal em 2018. Índices são semelhantes ao período pré-intervenção.

O relatório “Rio sob intervenção 2”, produzido pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta segunda-feira (18), mostrou que a intervenção federal na segurança pública do Rio não representou mudanças significativas na rotina de medo de quem mora na cidade do Rio. Concluído em fevereiro deste ano, o estudo mostra que, apesar dos elevados gastos financeiros durante esse período, as medidas apresentadas não obtiveram resultados relevantes.

O Datafolha entrevistou pessoas de 16 anos ou mais na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 23 e 25 de janeiro de 2019. No total, foram 843 entrevistas, a maioria com moradores da zonas norte e oeste do município. No ano passado, pessoas foram ouvidas para a pesquisa “Rio sob Intervenção 1“, que mensurou medo, risco e vitimização da população carioca antes do decreto da intervenção, em 16 de fevereiro de 2018.

O que a pesquisa mostrou?

A pesquisa revelou que “o medo de ser vítima ou ter um parente ferido por bala perdida no Rio de Janeiro atinge, hoje, 92% dos moradores da cidade, e esse índice não mudou após a intervenção das FFAA: em março do ano passado, 92% já relatavam ter medo de serem atingidos por balas perdidas ou ter um parente nessa situação”. O estudo revela também que os índices de pessoas que tem medo de morrer assassinado (87%) e que tem medo de ser ferido ou morto em assalto/roubo (92%) não mudaram com a intervenção. Já os índices sobre ter medo de ficar em meio a um confronto (92%) e ouvir tiroteios próximos a si (79%) aumentaram 1 e 2 pontos percentuais respectivamente, pós intervenção.

Durante o período da intervenção, o Fogo Cruzado registrou 189 vítimas de bala perdida na Região Metropolitana do Rio – 36 delas morreram. Com o fim do decreto, o Datafolha apontou que 5% dos entrevistados disseram ter sido vítima de bala perdida ou tiveram parentes próximos vitimados – 3% menos que no período anterior ao decreto.

Os constantes tiroteios fazem parte do cotidiano das pessoas no Rio, tanto que: 77% responderam que têm medo de ouvir tiroteios próximos a si e 92% têm medo de ficar em meio a um confronto – reduções de 2% e 1% em relação ao período anterior, o que fica dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 3%. Em 2019, o Fogo Cruzado já registrou mais de 1.000 tiroteios/ disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio e, entre os municípios, a capital fluminense respondeu por mais de 50% dos registros.

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