9 pessoas foram mortas na Penha em uma única operação. Janeiro e fevereiro de 2022 foi o primeiro bimestre com menos tiroteios na Região Metropolitana desde 2017

Uma única operação policial na Vila Cruzeiro deixou 9 mortos e fez do bairro da Penha, na capital do Rio, o líder no ranking de mortos em toda a Região Metropolitana do Rio em fevereiro, segundo dados do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. Ao longo do último mês, houve 11 tiroteios e 9 mortos na Penha – todos na operação. Bangu, também na capital do Rio, teve os mesmos 11 tiroteios, mas com 4 mortos e 5 feridos – 9 baleados. No geral, janeiro e fevereiro de 2022 formaram o início de ano com menos tiroteios desde que o Fogo Cruzado passou a monitorar anualmente a Região Metropolitana do Rio, em 2017. Foram 507 tiros no primeiro bimestre, bem menos do que o mesmo período em 2021 (804). No entanto, isso não significa que os moradores estão seguros da violência armada.

A operação policial da Vila Cruzeiro no dia 11, a mais letal do mês, foi realizada de maneira conjunta entre a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal. O tiroteio começou ainda de madrugada e apavorou os moradores: 17 escolas suspenderam aulas, deixando quase 6 mil alunos sem aulas, agentes de Saúde não puderam circular pela favela e muitas pessoas perderam o dia de trabalho. A operação matou 8, mas não conseguiu cumprir nenhum mandado de prisão

Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é outro lugar em que boa parte dos tiroteios se deu com a presença da polícia. Houve 20 tiroteios no município em fevereiro, 11 em ações e operações policiais, com um saldo de 11 baleados – 6 mortos e 5 feridos. Olavo Bilac foi o bairro de Caxias com mais tiroteios. 

Na Vila Rosário, também em Caxias, uma ação policial no dia 9 matou Wallace Ribeiro de Souza, de 28 anos. Ele voltava para casa depois de um dia de trabalho quando foi atingido. Na mochila, carregava apostilas para o concurso da Polícia Civil, o qual sonhava em passar. 

No início de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal obrigou o governo do Rio de Janeiro a criar, em até 90 dias, um plano para reduzir a letalidade policial. Um mês se passou desde a determinação do STF, e o plano ainda não foi apresentado à população. 

Conflito de milícias provoca mortes na Zona Oeste

Na Zona Oeste da capital, conflitos internos entre grupos de milícias e do tráfico de drogas são a causa do pânico de moradores. As mortes acontecem à luz do dia, em vias movimentadas. A Zona Oeste teve 53 tiroteios em fevereiro Dos sete bairros com mais tiroteios em toda a Região Metropolitana, três são da Zona Oeste. Bangu (11), Vila Kennedy (9) e Senador Camará (5). 

Em Santa Cruz, no último dia 19, o miliciano Vladimir Melgaço Montenegro, conhecido como Bibi, foi morto a tiros na favela dos Jesuítas. A promoter Marianna Jaime Costa também foi morta no episódio, e outras três pessoas ficaram feridas. Mais de 100 tiros foram disparados. Bibi fazia parte da milícia de Zinho, o irmão de Ecko que hoje domina boa parte dos bairros deixados de herança pelo irmão. Outras mortes atribuídas à milícias aconteceram nos dias seguintes. 

Enquanto isso, o Jacarezinho, que recebe o Cidade Integrada, que já não figurava entre os bairros com mais tiroteios, acumulou denúncias de abusos policiais no último mês. O Itanhangá, onde fica a Muzema, outra favela do Cidade Integrada, teve 2 tiroteios no mês.

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