Região Metropolitana teve uma média de 6 pessoas baleadas a cada 24 horas

Dados do relatório mensal do Fogo Cruzado mostram que janeiro e fevereiro de 2022 formaram o primeiro bimestre de ano mais violento no Grande Recife, desde que o instituto começou a mapear anualmente a região, em 2019 – o monitoramento do Fogo Cruzado em Pernambuco começou em abril de 2018. Nos dois primeiros meses de 2022 foram 320 tiroteios, com 376 baleados – 236 mortos e 140 feridos. É uma média de 6 baleados a cada 24 horas nos primeiros 59 dias do ano. Como comparação, janeiro e fevereiro de 2021 tiveram 267 tiroteios e 289 baleados.

Em regiões dominadas pela violência, é difícil saber se quem está do seu lado carrega uma arma de fogo e está disposto a usá-la quando bem entender, inclusive em momentos de lazer. O número de pessoas baleadas em bares explodiu após o caso na cidade de Moreno, onde um grupo de homens armados chegou atirando em uma festa, deixando 3 mortos e 11 feridos. Em todo o Grande Recife, foram 17 baleados em bares – 4 mortos e 13 feridos. Em fevereiro de 2021 houve apenas um caso, com 1 morto.

No Cabo de Santo Agostinho, onde moradores notam no dia a dia  o aumento da violência armada desde o ano passado, o número de tiroteios triplicou (233% a mais) na comparação entre fevereiro de 2022 e fevereiro de 2021. No último mês houve 20 tiroteios, com 22 baleados – 15 mortos e 7 feridos.

O Cabo é um município que viveu um cenário de prosperidade e ofertas de emprego na década de 2010, com a expansão do Complexo Industrial Portuário de Suape. Mas a crise econômica que se acentuou a partir de 2015 deixou milhares de desempregados, e a falta de planejamento do poder público fez a cidade se tornar uma das mais violentas da Região Metropolitana.

As falhas na segurança pública ficam ainda mais escancaradas quando quem é pago para combater a violência armada acaba sendo vítima dela. Exemplos não faltam na Região Metropolitana do Recife no último mês. Em 28 dias, 7 agentes de segurança foram baleados, segundo dados do Relatório Mensal do Instituto Fogo Cruzado. Destes, 5 eram policiais militares, 1 era policial civil e 1 era guarda municipal. Na média, é como se a cada quatro dias um agente de segurança fosse vítima de tiros. 

Em fevereiro, 2 agentes foram baleados em serviço e 4 fora de serviço; 1 era aposentado/exonerado. São diferentes casos que expõem diferentes problemas: o policial militar Alberisson Carlos da Silva, de 50 anos, presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco, foi morto a tiros no bairro da Madalena, no Recife, no dia 16. Alberisson havia deixado a sede da entidade quando foi surpreendido por homens armados, que dispararam nove vezes contra ele.

Fevereiro também ficou marcado por um caso de disparo acidental. O PM Lucas Chagas morreu após ser atingido por tiro acidental no peito quando estava dentro do 6º Batalhão da PM, em Prazeres, Jaboatão dos Guararapes. Segundo colegas, ele trocava de roupa no alojamento quando a arma caiu e disparou. Dentro ou fora do horário de trabalho, policiais reclamam sobre a falta de estrutura de delegacias e batalhões, que sobrecarregam a dinâmica de trabalho e os tornam profissionais sob estresse. Em entrevista recente ao Fogo Cruzado, o policial civil e presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE), Rafael Cavalcanti, também apontou como problemas a falta de treinamento e o estímulo ao policial agir como um “super-herói“, pronto para combater o crime em todo e qualquer lugar, ainda que de folga, . Elementos de uma bomba-relógio que explode não só na sociedade, como nos próprios agentes de segurança.

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