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À deriva: Impactos de 2 meses de intervenção no Rio

Informações do Relatório do Observatório da Intervenção, com dados inéditos sobre gastos, violações e operações nos primeiros dois meses de intervenção federal

Este relatório é o primeiro editado pelo Observatório da Intervenção, uma iniciativa dedicada a acompanhar e divulgar os fatos relacionados à intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Nesta publicação, estão sintetizados os impactos e resultados da intervenção, reunidos através da análise de veículos de comunicação impressos e online, documentos oficiais e páginas nas redes sociais. Os relatos, depoimentos e reflexões dos conselheiros do Observatório e de pesquisadores, ativistas e lideranças, inclusive os ligados às instituições apoiadoras e parceiras do Observatório, também foram insumos para este trabalho. Os dados e comentários do texto referem-se ao período de 16 de fevereiro a 16 de abril de 2018.

O Fogo Cruzado – laboratório de dados sobre violência armada, que agrega e disponibiliza informações através de um aplicativo e mapa colaborativo – forneceu ao Observatório as informações relativas a tiroteios/disparos de arma de fogo, vítimas fatais, feridos, tiroteios contínuos e ocorrências com mortes de 3 civis ou mais.

Íntegra do Primeiro Relatório da Observatório da Intervenção.

O Observatório da Intervenção foi criado para reunir e analisar dados sobre a segurança pública no Rio de Janeiro e criar indicadores a partir dos registros de fatos durante a intervenção, captados por meio da análise diária da imprensa, de veículos digitais e páginas de redes sociais dedicadas à comunicação hiperlocal. O panorama se completa com os dados fornecidos pelas organizações parceiras Fogo Cruzado e DefeZap e pelos relatos e análises produzidos pela rede de Conselheiros do Observatório e por representantes de instituições apoiadoras.

A partir dessas fontes, monitoramos 70 operações policiais, sobre as quais reunimos informações detalhadas. Em 25 dessas operações houve mortes. Os contingentes mais usados nas ações foram os da Polícia Militar (26 operações, além de seis com policiais das UPPs); Forças Armadas (22 operações); Polícia Civil (também 22) e Polícia Rodoviária Federal (8 operações). Em 7 operações foram usadas outras forças; em duas, a Polícia Federal; e em duas, agentes penitenciários.

Nessas operações foram apreendidos 42 fuzis, 77 pistolas, 20 revólveres e 1 espingarda. As apreensões de armas são baixas, pois as operações empregaram mais de 44.024 agentes (considerando as 25 operações em que isto foi informado), ou um efetivo médio de 1.631 por operação.

Aparentemente, sem guardar indícios de unidade, integração e mesmo base conceitual, as muitas operações relatadas nos primeiros meses nos fazem perguntar: a que plano seguem? Quais são suas metas? O investimento está produzindo resultados efetivos?

Tudo indica que o comando da intervenção não tem um modelo de política de segurança que pretende implantar. Pelo contrário, parece deixar que as polícias “façam seu trabalho”, sem orientações definidas de buscar a preservação da vida, sem metas, sem mudanças nos paradigmas que vinham orientando as ações.

Ao mesmo tempo, a despeito de evitar fazer ocupações massivas, como realizadas no Complexo do Alemão, em 2010, e no Complexo da Maré, em 2015, soldados do Exército têm sido vistos na orla e bairros da Zona Sul. Desde fins de março, o comando da intervenção, que o general Braga Netto havia descrito inicialmente como “gerencial”, decidiu expandir a presença de soldados no patrulhamento das ruas. A presença na Vila Kennedy foi mantida, apesar das declarações de que aquela ação tinha cumprido seu objetivo e seria encerrada.

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