Em 2019, marca foi alcançada 88 dias antes

Na manhã desta segunda-feira (12), um motorista identificado como Ismael Souza do Nascimento foi atingido por uma bala perdida quando passava de carro pela Avenida Brasil, na altura do Muquiço, em Guadalupe, na Zona Norte do Rio, durante uma perseguição policial na região. Na ocasião, um policial militar também foi baleado. Com Ismael, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro atinge a marca de 100 vítimas de bala perdida* este ano. Entre as 100 vítimas mapeadas pela plataforma Fogo Cruzado, 17 morreram e 83 ficaram feridas. Marca equivale a 7% do total de baleados no Grande Rio este ano (1.394). 

Apesar de elevado, em 2019, número foi alcançado 88 dias antes, em 16 de julho. Na ocasião, Gessi Gonzalez Camargo foi atingido nas costas por uma bala perdida quando ocorria um assalto no bairro Bento Ribeiro, na Zona Norte do Rio. 

Violência atinge os mais vulneráveis

Número de crianças** atingidas chama atenção. Das 20 baleadas em 2020, 13 foram vítimas de bala perdida: destas, 3 morreram. Entre elas está Anna Carolina de Souza Neves, de 8 anos. A menina, que estava no sofá de casa com os pais, foi a primeira criança a ser atingida por uma bala perdida no Grande Rio este ano, no dia 10 de janeiro, no bairro Parque Esperança, em Belford Roxo, Baixada Fluminense.

Houve ainda 12 adolescentes (entre 12 anos e 18 anos incompletos) e 11 idosos (com idade igual ou superior a 60 anos) baleados: 2 adolescentes e 5 idosos morreram.

Nem só os mais jovens e os mais velhos ficaram vulneráveis, 2 cachorros também foram atingidos por bala perdida no Grande Rio este ano. Pixote, um cachorro de 2 anos, foi atingido por uma bala perdida durante tiroteio na Vila kennedy, bairro da Zona Oeste do Rio. Na ocasião, o animal se assustou com o barulho dos tiros durante uma operação policial na região e fugiu de casa, quando acabou sendo atingido na cabeça pelos disparos no dia 9 de fevereiro.

1 pessoa foi atingida quando estava em um bar e outras 7 pessoas, quando estavam em casa.

Presença de agentes

67 pessoas foram atingidas por bala perdida em situações com a presença de agentes de segurança***, destas 12 morreram. O pedreiro Francisco Paulo de Carvalho, de 55 anos, foi uma das vítimas. Francisco foi atingido durante um tiroteio no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio, no dia 18 de setembro, mas não resistiu aos ferimentos.

Motivos

Entre os principais motivos que iniciaram os tiroteios/disparos de arma de fogo que resultaram em vítimas de bala perdida, estão Ação/Operação policial (52), Ataque a civis (7), Guerra – aplicado a casos onde há disputa entre facções, sem a presença de agentes de segurança – (6), roubo/tentativa de roubo (5) e Tentativa de homicídio – quando outras pessoas não envolvidas acabam sendo atingidas – (2).

Regiões

O Leste Metropolitano – formado pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá – concentrou o maior número de vítimas de balas perdidas, com 38 atingidos. Em seguida, vêm Zona Norte (26), Zona Oeste (16), Baixada Fluminense (9), Centro (7) e Zona Sul (4).

Municípios

O Rio de Janeiro concentrou o maior número de vítimas de bala perdida do Grande Rio, foram 52. São Gonçalo (34), São João de Meriti (3), Belford Roxo (3) e Niterói (3) vieram em seguida.

Bairros

Jardim Catarina, em São Gonçalo, com 10 atingidos por bala perdida, teve o maior número de vítimas entre os bairros do Grande Rio. Em seguida, vêm Cidade de Deus (5) e Bangu, Complexo do Alemão, Lins de Vasconcelos, Penha, Vila Kennedy, Maré, Amendoeira e Coelho – os últimos 2 em São Gonçalo – com 3 cada um.

* “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

**  Com idade inferior a 12 anos, segundo UNICEF

*** Presença de agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

**** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

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