Houve 385 horas a menos de tiroteios em relação a 2018

Por Olivia Kerhsbaumer

No dia 16 de fevereiro de 2019, o Complexo da Penha, na zona norte do Rio, viveu um dia de intenso tiroteio durante uma operação policial para acabar com o Baile da Gaiola, festa que chegava a reunir cerca de 25 mil pessoas. Na ocasião, o Fogo Cruzado registrou 4 horas tiroteio contínuo – entre 17h46 e 21h46. Durante a ação policial para conter o baile, 4 moradores foram atingidos por bala perdida: Vânia Cristina Macedo, de 63 anos; José Nogueira da Silva Pinto, de 70 anos; Antônio Gonçalves de Oliveira, de 56 anos e uma quarta vítima não identificada, atingida de raspão.

Em todo o ano de 2019, houve 14 tiroteios contínuos – que tem duração igual ou superior a 2 horas incessantes ou com intervalos curtos, de até 30 minutos – na região metropolitana do Rio. Foram 43 horas e 50 de tiroteios que deixaram 1 morto e 15 feridos. Apesar de ainda alto, o dado representa uma queda de 83% em relação a 2018, quando houve 83 tiroteios que duraram 429 horas e deixaram 32 mortos e 49 feridos. Em 8 dos 14 tiroteios contínuos de 2019 havia agentes de segurança na cena

Casa perfurada por disparos Foto: Reprodução

Em 2019, as regiões com mais tiroteios contínuos foram: Cidade de Deus (3 tiroteios com um total de 11h36min), Complexo da Penha (3 tiroteios com um total de 8h24min) e Praça Seca (3 tiroteios com um total de 7h31min). Em 2018, a Praça Seca foi palco de disputas envolvendo a milícia e por isso foi o bairro com mais tiroteios contínuos em 2018: lá houve 12 tiroteios que totalizaram 80 horas de tiros. O maior deles durou quase 17 horas e ocorreu durante uma operação policial no Bateau Mouche. 

Rastros do maior tiroteio de 2019

O dia 6 de setembro começou com pânico para os moradores do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. Uma operação policial que teve início às 05h44 desencadeou um tiroteio que durou até às 10h30, e ficou registrado como o tiroteio de maior duração do ano: 4 horas e 46 minutos de tiros contínuos. Apesar de ter finalizado sem registro de vítimas, as quase cinco horas de tiros deixaram marcas de tiros nas paredes das casas e móveis dos moradores, cápsulas espalhadas pelas ruas, aulas suspensas e comércio fechado. Pelas redes sociais os moradores lamentaram: “É a terceira guerra mundial”.

Cápsulas no chão de uma rua do Alemão no dia do tiroteio que durou quase 5 horas Foto: Reprodução


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