Houve 35 tiroteios no município, segundo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado

Duque de Caxias está sofrendo com a violência. Os problemas da segurança pública na região não são de hoje, mas os últimos dados apresentados pelo Instituto Fogo Cruzado em abril levantam um sinal de alerta para as autoridades. O município mais populoso da Baixada Fluminense concentrou 35 tiroteios em abril, segundo dados lançados hoje (5) no relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. Depois da capital, Caxias foi a cidade com mais tiroteios no mês. Ao todo, 15 pessoas foram baleadas, cinco morreram e 10 ficaram feridas.

O número de tiroteios ocorridos em Caxias no último mês, marcado por muitos feriados, é maior que o registrado em abril de 2021, quando houve 28 casos de tiro.  Naquele período do ano passado foram 16 vítimas, com nove mortes e sete feridas.

O crescimento da violência no Complexo da Mangueirinha, em Duque de Caxias, chamou a atenção no mês. Uma operação policial na região terminou em tiroteio no dia 10. A operação teria ocorrido após o irmão de um agente da Polícia Rodoviária Federal e o amigo, que estavam em uma festa próximo ao Complexo da Mangueirinha, serem raptados por traficantes, no dia 10. O corpo do irmão do agente foi encontrado carbonizado; o amigo foi resgatado com vida. Moradores relataram que várias pessoas foram mortas em um tiroteio durante a tentativa de resgate da vítima, mas a polícia confirmou apenas que um corpo foi encontrado carbonizado.

Olavo Bilac, em Duque de Caxias, foi o único bairro fora da cidade do Rio que esteve entre os cinco bairros com mais tiroteios. Foram nove tiroteios naquela região, quantidade maior que no Complexo da Maré, no Rio, que abriga 16 favelas.

Maria Isabel Couto, diretora de programas do Instituto Fogo Cruzado, avalia que a falta de um plano de segurança que contemple todo o estado faz aumentar a violência da Baixada, como mostram os números do relatório mensal. Para ela,  a desigualdade social, característica de parte dos municípios da Baixada Fluminense, também compõe o quadro da violência. 

“Estas desigualdades são mantidas através da alta repressão policial e da falta de políticas sociais que sejam desenhadas para melhorar, de fato, o dia a dia dos moradores. E isso reflete diretamente na alta violência em Duque de Caxias”, explica. 

O mês em dados

Ao longo de abril, houve 296 tiroteios na Região Metropolitana do Rio, sendo 86 deles (29%), ocorridos durante ações ou operações policiais, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Em comparação com abril de 2021, quando 502 tiroteios ocorreram no Grande Rio, sendo 30% deles (150), em ações/operações, abril de 2022 apresentou queda de 41% no número de tiroteios e queda de 43% em tiroteios durante ações ou operações.

Ao todo, 139 pessoas foram baleadas no último mês: 64 delas morreram e 75 ficaram feridas. Número de mortos em abril deste ano foi 44% menor e o de feridos 23% menor que o registrado em abril de 2021, quando, dos 212 baleados, 115 morreram e 97 ficaram feridos.

Comparado ao mês de março, que concentrou 357 tiroteios, 101 mortos e 107 feridos, abril teve queda de 17% nos tiroteios (296), de 37% nos mortos (64) e de 30% nos feridos (75).

Entre as datas mais afetadas ao longo de abril, os dias 25 e 27 concentraram o maior número de tiroteios (16). O dia 25 concentrou também o maior número de mortos (6) e de feridos (10).

Mapa da violência

Entre os municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, os cinco mais afetados pela violência armada foram:

  • Rio de Janeiro: 173 tiroteios, 25 mortos e 40 feridos
  • Duque de Caxias: 35 tiroteios, 5 mortos e 10 feridos
  • São Gonçalo: 25 tiroteios, 8 mortos e 14 feridos
  • Belford Roxo: 15 tiroteios, 9 mortos e 2 feridos
  • Nova Iguaçu: 14 tiroteios, 7 mortos e 2 feridos

Entre os bairros que fazem parte da Região Metropolitana do Rio, os mais afetados pela violência armada foram:

  • Praça Seca (Rio de Janeiro): 10 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
  • Olavo Bilac (Duque de Caxias): 9 tiroteios e 1 morto
  • Cordovil (Rio de Janeiro): 8 tiroteios e 2 mortos
  • Maré (Rio de Janeiro): 7 tiroteios
  • Vila Kennedy (Rio de Janeiro): 7 tiroteios

Seis localidades compõem a Região Metropolitana do Rio, o ranking das mais afetadas foi:

  • Zona Norte: 107 tiroteios, 12 mortos e 24 feridos
  • Baixada Fluminense: 82 tiroteios, 26 mortos e 19 feridos
  • Zona Oeste: 45 tiroteios, 11 mortos e 6 feridos
  • Leste Metropolitano: 41 tiroteios, 13 mortos e 16 feridos
  • Centro: 18 tiroteios, 2 mortos e 10 feridos
  • Zona Sul: 3 tiroteios

Ao todo, 14 tiroteios/disparos de arma de fogo aconteceram em áreas de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Quatro pessoas foram baleadas nestas áreas: três morreram e uma ficou ferida. As áreas afetadas pela violência armada em abril foram:

  • Complexo da Penha: 4 tiroteios e 2 mortos
  • Macacos: 3 tiroteios e 1 ferido
  • Jacarezinho: 1 tiroteio e 1 morto

Complexo de Manguinhos, Mangueira, Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, Prazeres Tabajaras e Turano tiveram 1 tiroteio cada, mas sem vítimas.

As vítimas da violência

  • Duas chacinas ocorreram no Grande Rio em abril, deixando seis mortos no total. Em abril de 2021 ocorreram oito casos em que três ou mais pessoas foram mortas a tiros em uma mesma situação: ao todo, foram 31 vítimas nestas circunstâncias. 
  • Houve 23 casos de roubos ou tentativas de roubo que terminaram em tiros no Grande Rio. Ao todo, 29 pessoas foram baleadas nestes casos: seis morreram e 23 ficaram feridas. Em abril de 2021 houve 30 casos de roubos e tentativas que deixaram 39 baleados no total (20 mortos e 19 feridos).
  • 12 agentes de segurança foram baleados no Grande Rio: três morreram (todos fora de serviço) e nove ficaram feridos (sete em serviço e dois fora de serviço). Em abril de 2021 foram 16 agentes baleados: cinco mortos (três em serviço e dois fora de serviço) e 11 feridos (nove em serviço e dois fora de serviço).
  • 14 pessoas foram atingidas por balas perdidas no Grande Rio em abril: uma morreu. Oito delas foram atingidas durante ações ou operações policiais. Em abril de 2021, 16 pessoas foram vítimas de balas perdidas: três mortas e 13 feridas. Sete das vítimas foram atingidas durante ações ou operações policiais.
  • Uma criança, dois adolescentes e quatro idosos foram baleados no Grande Rio em abril: destes, dois adolescentes morreram. Em abril de 2021, uma criança e dois idosos foram baleados: a criança morreu.

Acumulado do ano

Entre janeiro e abril de 2022, houve 1.162 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, segundo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado: 367 deles ocorreram durante ações ou operações policiais. Ao todo, 631 pessoas foram baleadas neste período: 321 morreram e 310 ficaram feridas. Em comparação com o mesmo período de 2021, que concentrou 1.912 tiroteios, sendo 565 durante ações ou operações e deixou 833 pessoas baleadas: 423 mortas e 410 feridas, neste ano houve queda de 39% nos tiroteios, de 35% nos tiroteios em ações policiais, de 24% nos mortos e de 24% nos feridos.

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 20 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e, em breve, em mais cidades brasileiras.

Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.

Chacinas: eventos onde há 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação: chacinas – mesmo que o motivo dos disparos seja outro, como: assalto, ataque, operação etc. (SSP de SP).

Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

“Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma ligação, participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

 O Unicef considera crianças com idade inferior a 12 anos. 

O Unicef considera adolescentes com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos.

O Estatuto do Idoso considera idosos com idade igual ou superior a 60 anos.

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