A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia pela Covid-19 no dia 11 de março de 2020. Desde então, a recomendação de especialistas, principalmente no primeiro ano, era restringir ao máximo a circulação da população nas cidades. Em Pernambuco, nem isso diminuiu o problema da violência armada: houve mais tiroteios durante a pandemia do que antes dela.

Nos últimos dois anos houve 3.492 tiroteios na Região Metropolitana do Recife, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Esse número é 27% maior do que o registrado no período pré-pandemia, entre abril de 2018 e março de 2020.

A violência armada também fez mais vítimas durante a pandemia do que no período pré-pandêmico. Ao todo, 3.888 pessoas foram baleadas desde março de 2020: destas, 2.523 morreram e 1.365 ficaram feridas. O número de mortos é 25% maior, e o de feridos é 41% maior que o registrado no período antes da pandemia, quando houve 2.987 pessoas baleadas, sendo 2.016 mortas e 971 feridas.

Recentes medidas de ampliação de ofertas de armas e munições vêm facilitando o acesso da população a armamentos. Em Pernambuco, as solicitações para posse e porte de armas saltaram de 1.171, em 2018, para mais de 10 mil em 2020, ano de início da pandemia. Em paralelo, projetos de lei em Pernambuco tentam ampliar o porte de armas para Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs).

Ficar em casa: medida sanitária enfrentada na bala

Respeitar o isolamento e ficar em casa não eliminou os riscos de ser vítima da violência armada. Quando o mundo todo buscou abrigo no próprio lar, foi também nesse espaço onde 485 pessoas foram baleadas no Grande Recife – 383 mortas e 102 feridas. Um aumento de 65% entre os mortos e de 79% entre os feridos em comparação com o período pré-pandemia, que fez 289 vítimas dentro de casa – 232 mortos e 57 feridos.

Edna Jatobá, coordenadora local do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco, alerta que a violência no estado não diminuiu com a pandemia, mas transformou seus métodos.

“As pessoas não vão parar de matar por conta da pandemia. Esses crimes continuam, elas passam a procurar essas vítimas agora dentro de casa”, comenta Jatobá.

Fora de casa, além do vírus, outro risco foram as balas perdidas, que afetam a vida de quem não tem nada a ver com o tiro e muitas vezes sequer soube de onde o disparo partiu. Balas perdidas atingiram 84 pessoas desde março de 2020 – nove morreram e 75 ficaram feridas. No período anterior à pandemia foram 68 vítimas – nove mortas e 59 feridas.

A economia girou, mas o trabalhador informal sofreu

41 mototaxistas, 24 vendedores ambulantes e 16 motoristas de aplicativo foram baleados na Região Metropolitana do Recife durante a pandemia. No período anterior à pandemia foram 19 mototaxistas, 25 vendedores ambulantes e 24 motoristas de aplicativo foram baleados na Região Metropolitana do Recife. 

O aumento da violência armada contra trabalhadores informais surge ao mesmo tempo em que este tipo de emprego bate recorde no país. No fim do segundo trimestre de 2021, por exemplo, os profissionais informais – sem carteira assinada – já eram quase metade do total de trabalhadores do país, de acordo com o Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio).

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