Número de mortos mais que dobrou em São Gonçalo em relação a 2018

Por Carlos Nhanga

Em 2019, o Fogo Cruzado registrou 41 idosos baleados na região metropolitana do Rio – dos quais, 24 morreram. Entre os baleados, 26 eram homens (17 mortos e 9 feridos) e 15 eram mulheres (7 mortas e 8 feridas). O número de baleados de 2019 representa uma queda de 5% em comparação ao total de baleados em 2018, quando houve 43 idosos vítimas. Em contrapartida, o número de mortos de 2019 (24) superou em 20% o número de mortos em 2018, que totalizou 20 vítimas fatais.

A cidade do Rio de Janeiro, assim como em 2018, concentrou o maior número de baleados também em 2019: 13 (5 mortos e 8 feridos). Apesar de aparecer em segundo lugar no ranking do total de baleados (12), São Gonçalo, no Leste Metropolitano, foi a cidade mais letal para idosos em decorrência da violência armada no Grande Rio: foram 9 mortos e outros 3 feridos. Em relação a 2018, houve um aumento de 167% no número de mortos no município, quando 3 idosos foram mortos a tiros. 

Na sequência do ranking dos cinco primeiros municípios com mais baleados, ficaram Niterói, com 5 baleados (2 mortos e 3 feridos); Belford Roxo, com 4 baleados (2 mortos e 2 feridos); e Maricá, com 2 mortos.

Balas Perdidas

Em 2019, o Grande Rio registrou 189 pessoas atingidas por balas perdidas* – das quais 53 morreram. Do total de vítimas, 25 (13%) eram idosas: 10 morreram e 15 ficaram feridas. Rio de Janeiro (11), São Gonçalo (7), Niterói (4) e Belford Roxo (3), foram os municípios com idosos atingidos por balas perdidas no Grande Rio.

Entre as vítimas, está Alzira Alves, de 77 anos, atingida por bala perdida dentro de casa no bairro Jóquei, em São Gonçalo, em 11 de julho. Alzira foi socorrida no Hospital Estadual Alberto Torres, também em São Gonçalo, e sobreviveu. Já a última idosa vítima de bala perdida no ano, em 15 de dezembro, não teve a mesma sorte. Maria dos Remédios Vilarinho Jesus de Jesus, de 65 anos, foi atingida por bala perdida durante um ataque a agentes de segurança na Rua Albino Imparato, no Jardim Catarina, em São Gonçalo. Ela morreu no local. 

Além das balas perdidas

Representando 61% dos casos de idosos baleados no Grande Rio, as balas perdidas não foram a única forma de vitimar idosos: 10 foram vítimas de homicídios ou execuções e outros 8 foram baleados durante assaltos (4 mortos e 4 feridos). 

Vítima de execução, o advogado Jorge Pires Vieira, de 67 anos, foi morto com 3 tiros dentro de casa, em 8 de novembro, no bairro Jardim Meriti, em São João de Meriti, Baixada Fluminense. Depois do crime, a esposa de Jorge, a professora aposentada Márcia Menezes passou mal e foi levada às pressas para uma UPA. Márcia teve um AVC e morreu.

*“Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP)

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