Ao todo, 871 mulheres foram vítimas da violência armada, segundo Instituto Fogo Cruzado

Em quase seis anos, 871 mulheres foram baleadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado: 321 das vítimas não resistiram e morreram. As outras 550 mulheres sobreviventes levaram marcas no corpo e na própria história que comprovam que, apesar do dia 8 de março ser o Dia da Mulher, nenhuma delas está protegida da violência armada. Em média, 13 mulheres foram baleadas por mês.

Maria Isabel Couto, diretora de programas do Instituto Fogo Cruzado, afirma que as mulheres tornam-se duplamente vulneráveis porque além de serem vitimizadas em situações de conflitos nas ruas, elas também podem se tornar alvo dentro de casa. 

“A maior circulação de armas no Brasil, somada à diminuição da fiscalização nos últimos anos, são elementos que tornaram as mulheres mais vulneráveis. Nas ruas, elas sofrem os perigos da violência cotidiana, como em casos de balas perdidas. Em casa, há muitos episódios em que o companheiro diz ter uma arma para proteger a família, mas acaba usando essa mesma arma em ameaças e tentativas de feminicídio”, afirma Maria Isabel.

Entre as vítimas de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio, está a modelo Kathlen Romeu. A modelo estava grávida de 14 semanas e foi morta a tiros durante uma operação policial no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio, quando visitava a avó, no dia 8 de junho de 2021. Kathlen não foi exceção: assim como ela, outras 18 grávidas baleadas: 8 morreram 10 ficaram feridas.na Região Metropolitana do Rio.

O feminicídio, crime no qual mulheres de todas as idades são vítimas pela simples condição de serem mulheres, fez 59 vítimas diretas ou de tentativas: ao todo, 45 morreram. Outras 14 conseguiram sobreviver. Na véspera do Dia da Mulher deste ano, Arielle Evangelista, de 21 anos, foi morta a tiros pelo namorado, na Estrada das Canárias, em Parque Royal, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio.

O lar não é um ambiente seguro para muitas mulheres. Das 871 baleadas desde que o Fogo Cruzado passou a operar na Região Metropolitana do Rio, em julho de 2016, 122 delas foram atingidas quando estavam dentro de casa – 64 morreram e 58 ficaram feridas. No dia 29 de agosto de 2021, Maria Matilde Bolzan Aguiar, de 51 anos, foi morta ao ser atingida por uma bala perdida dentro de casa, no Fonseca, na Zona Norte de Niterói. Maria Matilde estava preparando o almoço, quando foi atingida. O lar também foi o lugar onde 21 das 58 vítimas de feminicídio/tentativa foram atingidas. 

Vítimas em todas as idades

As mulheres são vítimas da violência armada em todas as idades. Das 871 atingidas por arma de fogo, 51 eram meninas menores de 12 anos: 15 das crianças morreram e outras 36 ficaram feridas. Entre as vítimas está Ágatha Felix, de 8 anos, morta durante uma ação policial na Birosca, no Complexo do Alemão, no dia 20 de setembro de 2019. A menina estava dentro de um transporte comunitário junto com a mãe no momento em que foi baleada. Em 13 de janeiro de 2021, foi sancionada a Lei 9.180/21, também conhecida como Lei Ágatha Felix, que garante prioridade nas investigações de crimes contra a vida de crianças e adolescentes.

Outras 82 eram adolescentes entre 12 e 17 anos: 36 delas morreram e 46 ficaram feridas. Sabrina Mikaelly do Nascimento Silva, de 15 anos, foi morta a tiros no Morro do Turano, na Tijuca, no dia 16 de outubro de 2021, vítima de feminicídio. O autor dos disparos foi ex-namorado da jovem, que teria tirado a vida da adolescente por não aceitar o fim do relacionamento.

A diarista Jurema Alvares Pinto, de 67 anos, estava acompanhada do filho, quando foi morta por uma bala perdida no dia 7 de fevereiro deste ano, enquanto passava de carro pela Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, a caminho do trabalho. Jurema não foi a única. Ao todo, 59 idosas com idade a partir de 60 anos foram baleadas no Grande Rio: 20 morreram e 39 ficaram feridas.

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 20 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e, em breve, em mais cidades brasileiras.

Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.

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