Com diferentes perfis, as mulheres não foram poupadas da violência armada

*Dados coletados até 2 de março de 2021

Desde 2017, a plataforma Fogo Cruzado já registrou 681 mulheres baleadas* na Região Metropolitana do Rio de Janeiro: 258 delas não resistiram e morreram.

Os motivos dos tiroteios que mais deixaram mulheres baleadas foram Operação/Ação policial, que deixou 194 vítimas ao todo (45 mortas e 149 feridas). Roubo e tentativa de roubo veio em seguida, totalizando 117 vítimas (34 mortas e 83 feridas). Homicídio e tentativa de homicídio (111 vítimas: 74 mortas e 37 feridas); execução e tentativa de execução (68 vítimas: 59 mortas e 9 feridas) e disputa entre facções/milícias (36 vítimas: 13 mortas e 23 feridas) completaram o ranking. Em apenas 10% dos casos, não foi possível identificar as circunstâncias dos disparos.

Quase metade das mulheres baleadas na Região Metropolitana do Rio foram vítimas de balas perdidas**. Foram 314 mulheres atingidas que não tinham nenhuma participação ou influência direta nos tiros, mas que sofreram igualmente com os efeitos da violência armada: 59 delas morreram. Chama atenção também que 12% das vítimas (85 mulheres) foram baleadas quando estavam dentro de casa: destas, 49 morreram. E outras 11 eram agentes de segurança***: 7 morreram.

A sargento do Exército Bruna Carla Borralho Cavalcanti de Araújo, de 27 anos, foi morta a tiros durante um assalto no dia 30 de agosto de 2020, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Bruna seguia de carro com a família, quando o veículo em que estavam enguiçou na Avenida Presidente Kennedy.

Vítimas de todas as idades

As meninas não foram poupadas da violência armada no Grande Rio. Das 681 mulheres baleadas neste período, 15% ainda não tinham chegado na vida adulta – 35 delas eram crianças**** e 68 adolescentes****: destas, 13 crianças e 31 adolescentes morreram.

A pequena Ana Clara Machado, foi a última vítima criança. Aos 5 anos de idade, a menina foi morta por uma bala perdida enquanto brincava com o irmão no portão de casa, em Monan Pequeno, no bairro de Pendotiba, Niterói. “Tchau, mãe. Estou indo, não vou aguentar”, Ana Clara se despediu da mãe no dia 2 de fevereiro.

As mais velhas também sofreram com a violência. Em 4 anos, 45 mulheres idosas****** foram baleadas na região metropolitana do estado: 15 delas não resistiram. 

Tânia Gomes Moeda, de 70 anos, foi baleada após entrar de carro por engano no Jóquei, em São Gonçalo, no dia 11 de agosto de 2020. Tânia, que estava acompanhada de outros dois idosos que também foram baleados, foi atingida no pescoço, mas sobreviveu.

Municípios

Em todos os lugares do Grande Rio mulheres foram baleadas. A cidade do Rio de Janeiro, concentrou mais da metade das vítimas, com 358 baleadas nos últimos 4 anos. São Gonçalo (111), Duque de Caxias (40), Belford Roxo (34) e Nova Iguaçu (31) seguiram no ranking entre os municípios que mais vitimaram mulheres.

* Números com base em informações de imprensa e comunicações oficiais das instituições de segurança em que o gênero das vítimas foi informado.

** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

*** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiras e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformadas.

**** Com idade inferior a 12 anos (UNICEF)

***** Com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos (UNICEF)

****** Com idade a partir de 60 anos (Estatuto do Idoso)

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