Ao todo, 487 mulheres foram vítimas da violência armada nos últimos 4 anos, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado

Em quase quatro anos, 487 mulheres foram baleadas na Região Metropolitana do Recife, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Entre as vítimas, 240 morreram e 247 ficaram feridas. Em média, é como se 121 mulheres tivessem sido vítimas da violência armada a cada ano.

A coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco, Edna Jatobá, acredita que embora as estatísticas mostrem que as mulheres são menos alvos de tiros do que os homens, elas são vítimas diretas e indiretas da violência armada e enfrentam riscos a todo o tempo, seja em casos de feminicídios, homicídios múltiplos ou balas perdidas. Muitas vezes, elas são baleadas sem nem saber de onde o disparo partiu. 

“Quando não são alvos diretos dos tiros, como nos casos de feminicídio, ou de crimes de patrimônio, as mulheres se tornam vítimas muitas vezes por estarem acompanhadas dos alvos diretos, como companheiros, filhos, conhecidos”, afirma Jatobá.

Dados do Instituto Sou da Paz mostraram que a maior parte dos feminicídios no Brasil acontece por armas de fogo. Elas estão sob risco: recentes medidas de ampliação de ofertas de armas e munições vêm facilitando o acesso da população a armamentos. Sem uma fiscalização séria por parte do governo federal, armas compradas para se defender acabam sendo usadas para atacar mulheres, em casos de ameaça e assassinatos. 

Maria Mirelly Alves do Nascimento, de 27 anos e grávida de seis meses, foi morta a tiros em maio do ano passado, quando estava dentro de casa, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife. De acordo com as investigações, o suspeito do crime é o companheiro da vítima, de 20 anos. Maria Mirelly não foi exceção: 48 mulheres foram baleadas em casos de feminicídios ou tentativas de feminicídio:  37 morreram e 11 ficaram feridas. Assim como estar dentro de casa não poupou a vida de Maria Mirelly, o lar também não garantiu a proteção de Elisângela Cristina, de 29 anos, morta a tiros após a casa em que estava, no Jardim Primavera, em Camaragibe, ter sido invadida por homens armados em setembro do ano passado. Ao todo, 126  mulheres foram baleadas dentro de casa no Grande Recife: 71 morreram e 55 ficaram feridas.

Ao longo de quase quatro anos, as mulheres foram vítimas da violência armada em todas as idades. Ao todo, 17 meninas com menos de  12 anos foram baleadas: quatro das crianças morreram e 13 ficaram feridas. Entre as vítimas, a pequena Lorena Letícia dos Santos, de 2 anos, morta a tiros em 7 de julho do ano passado, quando estava no colo do padrasto, no terminal de ônibus da Cidade Universitária, no Recife.

Outras 41 adolescentes (entre 12 e 17 anos) foram baleadas: destas, 18 morreram e 23 ficaram feridas. Amanda Rayana Oliveira dos Santos, de 17 anos, estava na frente de casa quando começou um tiroteio na Ilha de Deus, Zona Sul do Recife, em 5 de setembro do ano passado.

E 14 mulheres idosas (com mais de 60 anos) foram baleadas: quatro delas morreram e outras 10 ficaram feridas. Marinalva de Lira, de 68 anos, foi morta a tiros dentro de casa, quando tentava proteger o filho, de 34 anos, que era o alvo dos disparos.

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 20 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e, em breve, em mais cidades brasileiras.

Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.

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