Número total de vítimas em 2019 é menor que o ano anterior, mas quantidade de mortos aumentou 23%

Por Gabrielli Thomaz

Em 2019, a plataforma Fogo Cruzado registrou 7.365 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio, que deixaram 2.876 baleados. Deste total, 189 pessoas foram vítimas de bala perdida – das quais 53 morreram. Em 2018, esse número foi 16% maior: houve 225 vítimas de bala perdida, das quais, 43 não resistiram aos ferimentos e morreram.

Entre as vítimas está uma criança de 4 anos baleada de raspão na cabeça na frente de sua casa, na Rua Zarlinda Custódio Nunes, no Rocha, em São Gonçalo. A criança, que não teve a identidade divulgada, estava com parentes em frente de casa, quando homens armados apareceram e efetuaram disparos contra um rapaz, de 25 anos, que morreu. O caso ocorreu no dia 28 de novembro, data do aniversário da criança. 

Agentes de Segurança

Dentre as 189 vítimas de bala perdida, 134 foram baleadas em situações em que havia presença de agentes de segurança* na cena. Em 2018, 59% das vítimas (132 de 225) foram baleadas em momentos em que havia agentes no local.

A maior parte das vítimas de bala perdida foi atingida durante ações policiais (operações, ações de rotina como patrulhamento, blitz, etc.): 109 no total. Além delas, roubos diversos (21) e “guerras” – disputas entre traficantes, sem a participação de agentes – (18) também deixaram vítimas de balas perdidas.

Do número total de vítimas de bala perdida em 2019 (189), 20 eram crianças, 16 adolescentes**, 25 idosos*** e 6 agentes de segurança. Destes, 5 crianças, 4 adolescentes, 10 idosos e 1 agente morreram. 

Não há lugar seguro

24 vítimas de balas perdidas foram atingidas quando estavam dentro de casa – 3 delas, da mesma família. O cinegrafista Rafael Santos, de 34 anos, foi morto após ser atingido por bala perdida durante tiroteio no dia 15 de junho no Morro da Coroa, no Catumbi. Além dele, Karla Luana Santos, de 38 anos, e Tadeu Santos, de 12, irmã e sobrinho do cinegrafista, também foram baleados – mas sobreviveram.

Nem na igreja se está a salvo. Wallace Evangelista Meira, de 34 anos, foi atingido no dia 14 de março quando orava em uma igreja evangélica no bairro de Trindade, em São Gonçalo. Outros lugares que imaginamos estar a salvo, também mostram o contrário: 4 pessoas foram baleadas quando estavam dentro de algum meio de transporte, 1 dentro do hospital, 1 no shopping e 1 dentro de uma estação de trem. 

O caminho da escola também pode ser perigoso: 8 vítimas de balas perdidas foram atingidas quando estavam dentro/indo/voltando da escola. Stephani Aparecida Silva dos Santos, de 18 anos, foi um dos últimos casos. A estudante voltava da escola quando foi atingida por uma bala perdida na esquina da Rua Cuba com Avenida Prado Junior, na Penha, zona norte do Rio, no dia 21 de novembro, próximo ao fim do período letivo.

Houve ainda 14 casos onde os tiros não deixaram vítimas, mas acertaram residências (6), veículos (2), unidades de saúde (2), escola (1), shopping (1) e um edifício público (1). No dia 6 de setembro, por exemplo, 3 ônibus foram atingidos durante tiroteio no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Leste Metropolitano.

Mais vítimas

Até animais de estimação foram vítimas em 2019. Dos 9 animais baleados, 1 deles foi vítima de bala perdida. A vítima, um cachorro já idoso, foi atingido em uma das patas no dia 19 de setembro, durante operação policial no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, zona central do Rio. 

Em 2018 também houve casos de animais baleados, foram 4 atingidos por bala perdida, 1 morreu. Entre as vítimas estava um jabuti de 20 anos, que teve que ser sacrificado após ter o casco perfurado por uma bala perdida durante ação policial em Higienópolis, na zona norte do Rio, no dia 19 de junho.

*Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

**O Unicef considera crianças com idade inferior a 12 anos e adolescentes com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos.

***O Estatuto do Idoso considera idosos quem tem idade igual ou superior a 60 anos.

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