Torcemos para este dia não chegar, mas a violência armada é implacável quando não há esforço do poder público: em março, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro ultrapassou os 1.500 agentes públicos de segurança baleados em menos de 6 anos. Dos 555 agentes mortos, a maioria (431) era policial militar.

Os números confirmam como é grave o fato de o Estado não ter um plano de segurança pública, que inclua a preservação da vida dos policiais e de toda a população. O novo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado mostrou que o Rio de Janeiro está muito longe do caminho ideal: março de 2022 teve 208 baleados na região metropolitana – 101 mortos e 107 feridos – e foi o mês mais letal desde abril de 2021, quando houve 212 baleados. Somando 2021 e 2022, março deste ano foi o terceiro mês com mais vítimas de tiros – perdeu para janeiro de 2021 (220) e abril de 2021 (212).

O número de mortos tem aumentado mês a mês em 2022. Em janeiro, foram 63 mortos; em fevereiro, 92 mortos; em março, 101 mortos. O que o poder público tem feito para interromper esta contagem?

O comprometimento com a segurança não parece ser prioridade em ano de eleição. No início de fevereiro, durante o julgamento da ADPF 635, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o estado apresentasse, em 90 dias, um plano para diminuir o número de mortes em operações policiais. Não faz mais de três semanas que o governo do Rio divulgou no Diário Oficial o plano de redução da letalidade policial, mas ele está incompleto. Não há metas definidas, nem cronogramas, nem previsão de orçamento, e sequer inclui a participação da população, principal afetada pela violência. A Comissão de Monitoramento e Gestão é formada apenas por pessoas indicadas pelo governo, incluindo o próprio governador e os representantes das polícias Civil e Militar. Não há membros do Ministério Público, que tem exatamente a função de investigar a má atividade policial.

Enquanto isso, não há qualquer perspectiva de melhora da violência armada. Quem sofre são os filhos, pais, mães, maridos e esposas que têm suas vidas completamente destruídas pelos tiros. É o caso de Alessandra Morais e Carlos Alexandre Resende, um casal que morava em São Paulo e passaria um fim de semana no Rio de Janeiro. Na manhã do dia 25, uma sexta-feira, Alessandra desembarcou do ônibus que a trouxe de São Paulo e ficou aguardando Carlos no lugar que tinham marcado, em uma praça da Tijuca. Ele não chegou. Momentos antes do desembarque da esposa, Carlos foi assaltado e morto a tiros na Praça Carlos Paolera, na manhã do dia 25.
Esse foi um dos muitos casos que assustaram moradores da Grande Tijuca no mês de março. A onda de crimes na região também provocou tiroteio com feridos em ruas movimentadas da Tijuca e morte em operação policial. A Grande Tijuca teve 21 tiroteios este mês, com 8 mortos e 4 feridos. A região é formada pelos bairros da Tijuca, Andaraí, Maracanã, Vila Isabel, Grajaú, Praça da Bandeira e Alto da Boa Vista.

Deixe um Comentário





dez − 2 =