Seis assassinatos em menos de uma semana. O primeiro mês do ano de 2022 foi de perigo e medo para os moradores do Cabo de Santo Agostinho, que viram o número de mortos por armas de fogo disparar por conta da disputa entre grupos armados. O Relatório Mensal do Instituto Fogo Cruzado mostra que o número de tiroteios no Cabo aumentou 250% em relação a janeiro de 2021 e o número de mortos mais que triplicou (sete em 2021, 22 em 2022)..

Cabo de Santo Agostinho vem chamando atenção em relação à alta violência desde o ano passado. Os meses de setembro, outubro e novembro de 2021 foram os períodos com mais tiroteios no Cabo desde 2018, segundo o Relatório Anual do Instituto Fogo Cruzado. Nessa mesma época, a população ficou refém do medo depois que um toque de recolher começou a ser difundido em grupos de Whatsapp, em outubro. 

Os 28 tiroteios que aconteceram no Cabo em janeiro deixaram 37 baleados – 29 mortos e oito feridos. E as mortes não têm hora para acontecer. No dia 26, um carro branco parou em uma rua no bairro de Engenho Mercês e os integrantes dispararam contra dois homens, que morreram no local. No mesmo dia, mas à noite, um homem que andava sozinho de bicicleta pela BR-101 também foi baleado e morreu. 

O bairro com o maior número de tiroteios em toda a Região Metropolitana do Recife também fica no Cabo de Santo Agostinho: Ponte dos Carvalhos teve seis tiroteios e oito baleados em janeiro; em Garapu, cinco pessoas foram mortas ao longo de janeiro. O bairro também é um dos mais violentos do Grande Recife.

A disputa entre facções vem dando destaque para o Cabo de Santo Agostinho, mas os dados do relatório mensal do Fogo Cruzado também chamam atenção para outra cidade. A vizinha Jaboatão dos Guararapes teve mais pessoas baleadas do que a própria capital Recife – 43 em Jaboatão, 42 no Recife -, e quase o mesmo número de tiroteios no mês – 36 em Jaboatão e 42 no Recife -, apesar de ser menos populosa. Recife liderava esse trágico primeiro lugar desde que o Fogo Cruzado começou a monitorar a região, em 2018. 

O número de pessoas baleadas em residências quadruplicou em janeiro, em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2021, foram cinco baleados; em 2022, foram 24. Janeiro teve exatamente 21 dias úteis: é como se, de segunda à sexta-feira, uma pessoa fosse baleada por dia ao longo de todo o mês. No dia 26, uma mulher foi morta a tiros dentro de casa em Jaboatão, após homens sequestrarem o marido dela.

Enquanto os números de mortos e feridos sobem em diversas cidades, inquéritos não solucionados se amontoam nos arquivos das delegacias. No início do mês, policiais civis realizaram uma série de protestos pela Região Metropolitana do Recife por melhores condições de trabalho. Diversos crimes seguirão sem solução enquanto não houver suporte aos profissionais que hoje estão sobrecarregados. É preciso que os governos invistam na segurança, ou ninguém conseguirá segurar a disparada da violência armada.

> Acesse o relatório mensal da Região Metropolitana do Recife < 

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