A violência destrói famílias. Uma criança vítima de tiros muda para sempre a vida dos pais. Uma mãe vítima de tiros muda para sempre a vida dos filhos. E a Região Metropolitana do Recife, infelizmente, teve casos de todos os tipos no último mês. Abril foi marcado por crianças e adolescentes baleados, além dos episódios de homicídio de mulheres, algumas delas mães, assassinadas na frente dos filhos. Duas crianças e 11 adolescentes foram baleados em abril, de acordo com dados do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. Entre os adolescentes, seis foram mortos e cinco ficaram feridos. Futuros despedaçados pela violência.

A morte de mulheres também chamou atenção em abril, principalmente na primeira metade do mês. Raíssa Maria da Silva, de 20 anos, foi morta na frente dos dois filhos dentro de seu apartamento em Garapu, no Cabo de Santo Agostinho. Ela foi assassinada com cerca de 15 tiros. No dia seguinte, no bairro de Rio Doce, em Olinda, Kariny Tavares Vicente da Silva, gestante de cinco meses, foi morta a tiros. O crime também foi cometido na frente dos filhos – ela tinha uma menina de 3 anos que assistiu a tudo em seu apartamento.

O Grande Recife teve, ao todo, 172 tiroteios ao longo de abril. O número de mortos é mais alto do que em abril de 2021: houve 141 (e outros 61 feridos) no último mês, contra 123 mortos (e 38 feridos) no mesmo período do ano passado. As mortes são, em sua maioria, frutos de acerto de contas, assassinatos sob encomenda. 98% dos tiroteios ocorridos em abril tiveram alguma vítima.

A capital Recife lidera o ranking de municípios com mais tiroteios: foram 64 em abril, com 77 baleados. Em seguida, Jaboatão, onde houve 35 tiroteios com 45 baleados  e Cabo de Santo Agostinho, 23 tiroteios  com 22 baleados, completam este ranking

Os números são maiores aos de abril do ano passado – um aumento de 13%. Mas por que a situação não melhorou, de fato? A resposta pode estar na falta de continuidade do Pacto Pela Vida, programa de segurança pública do governo estadual de Pernambuco. O Pacto começou em 2007, e em sua primeira metade de vida atingiu índices relevantes de redução da violência. Em 2013, um período de 24 horas sem homicídios foi comemorado efusivamente pelo então governador Eduardo Campos. O problema é que os esforços no projeto arrefeceram com o tempo. 

A consequência é que parte do Grande Recife está sob a disputa de grupos armados, com frequentes ações e operações policiais que resultam em tiroteio e mortes – foi o que aconteceu com a menina Heloysa Gabrielle, de seis anos, que brincava no terraço de casa na comunidade Salinas, em Porto de Galinhas, quando foi morta por um tiro no peito. A facção Trem Bala, por exemplo, tem dominado não só Ipojuca, onde fica localizado Porto de Galinhas, mas todo o Litoral Sul.

Grupos armados, operações policiais com vítimas, homicídios sob encomenda. A violência armada na Região Metropolitana do Recife tem diversos braços e está longe de parecer controlado. O governo do estado precisa atuar, antes que a capitania mais lucrativa do Brasil Colônia vire a região mais violenta do Brasil atual.

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