No total, 142 foram baleados: 54 deles morreram

Por: Kathleem Barbosa

No dia 4 de dezembro mais um PM entrava para as estatísticas do Fogo Cruzado. Desta vez, tentando impedir um assalto a uma loja de departamentos no Centro de Mesquita, na Baixada Fluminense. Derinaldo Cardoso dos Santos, de 34 anos, morreu após ser baleado na cabeça. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O vídeo que mostra o momento dos disparos viralizou nas redes sociais e causou comoção. O policial deixou esposa e dois filhos. 

Derinaldo não foi o único PM morto em 2020, também em dezembro, o Sargento Anderson Quinhão Vieira, de 43 anos, morreu no dia 24, véspera de Natal, enquanto passava por uma rua que dá acesso à Rodovia Rio-Magé. O policial – que estava fora de serviço – foi reconhecido durante uma tentativa de roubo de cargas e foi morto. Anderson deixou esposa e uma filha.

Ao todo, 142 agentes foram baleados no Grande Rio em 2020 – 54 deles não resistiram aos ferimentos e morreram. Apenas 13 dos 54 agentes mortos estavam em serviço. Este dado representa uma queda de 28% comparado a 2019, quando 18 agentes morreram em serviço. Do total de agentes baleados (142), 70 estavam fora de serviço e 8 eram aposentados/exonerados.

PMs maiores vítimas

Dentre os 142 agentes de segurança baleados, os policiais militares foram os mais atingidos: 40 morreram (74% do total de agentes mortos) e 75 ficaram feridos (85% do total de agentes feridos). Em segundo lugar, estão os policiais civis, com 5 feridos e 4 mortos, marinheiros, com 2 feridos e 1 morto, bombeiros militares, com 3 mortos e agentes penitenciários, com 1 ferido e 1 morto.

No topo da lista dos 5 municípios menos seguros para agentes de segurança, está o Rio de Janeiro, onde 82 agentes foram baleados, seguido de São Gonçalo (19), Duque de Caxias (10), Niterói e Itaboraí (5).

Dentro da categoria de agentes, são contabilizados os policiais militares, civis, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas, na ativa, na reserva e aposentados. 

Operações suspensas 

Desde o último dia 5 de junho, o STF decidiu suspender as operações no Rio. A medida foi tomada após tiroteios em meio a ações de voluntários e uma operação policial no dia 18 de maio de 2020, que resultou na morte do adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. Após a suspensão, média de tiroteios com presença de agentes por dia caiu – foram 5 por dia em 2020 até a medida do STF e após ela, foram 3 por dia –, o que condiz com a queda no número de mortes da categoria.

Também foi possível visualizar uma queda nos agentes de segurança baleados em serviços no período de 1 de janeiro a 5 de junho de 2020 – antes da suspensão das operações -, foram 8 agentes vítimas na Região Metropolitana do Rio: todos morreram. Após esse período, entre 6 de junho e 31 de dezembro, houve 6 agentes de segurança baleados quando estavam trabalhando: 5 deles morreram. Além de preservar a vida de moradores de favelas do Rio, a suspensão das operações policiais também trouxe alívio aos agentes de segurança, que, ao deixarem de realizar operações policiais, viram o número de vítimas da categoria cair 25%.

*Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

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